Três meses antes da queda do Muro de Berlim, uma parte da fronteira de 246 quilômetros entre os dois países ficou aberta por três horas, para que apenas os convidados do piquenique passassem para o outro lado da barreira. No entanto, os poucos guardas da divisa não impediram a fuga para o Ocidente de 600 alemães orientais que souberam da oportunidade e viajaram até a Hungria para aproveitá-la.
Segundo a versão mais aceita, a ala reformista do governo húngaro sabia que a situação era insustentável e queria verificar a extensão das promessas de reforma de Mikhail Gorbachev (1988-1991). O sistema de alarme "Sz-100", instalado ao longo da divisa entre 1965 e 1971 para substituir os arames e minas terrestres implantados em 1949, não funcionava. Obrigados a importar as peças de reposição da cerca ironicamente do Ocidente (a União Soviética, já em colapso, não fornecia mais o material), os húngaros realizaram em abril de 1989 testes secretos para desligar inteiramente o sistema.
Com o sistema superado moral, política e tecnologicamente, o governo desligou oficialmente a cerca dois meses depois, com o plano de removê-la inteiramente até 1991. Mas o que ocorreu nas semanas seguintes foi um processo acelerado de mudanças. Opositores húngaros, apoiados por membros do próprio governo, conseguiram organizar com Otto von Habsburg, aspirante ao trono do Império Áustro-Húngaro, o Piquenique Pan-Europeu. Em 11 de setembro de 1989, o governo húngaro abriu suas fronteiras definitivamente.
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